Conflito e Intervenção na Escola

 

O conflito faz parte do nosso quotidiano e, na escola, a existência de situações de conflito é comum. O mais importante, perante a existência de conflitos, é a forma como o encaramos , trabalhamos e solucionamos, preferencialmente numa perspectiva em que aqueles que nele intervenham possam entendê-lo como uma forma construtiva de criar um ambiente de coesão, partilha, compreensão, democracia, diálogo e respeito.

Esta ideia é mais relevante ainda quando surgem conflitos nas Escolas. Os conflitos existem em muitas vertentes: aluno-aluno, aluno-Professor, Professor- Professor, Professor-Órgãos de Gestão Intermédia, Órgãos de Gestão Intermédia – Direcção,  Professor–Direcção (e isto sem referir o Pessoal Não Docente). Gerir as situações de conflito surgidas é um desafio para os Professores e Direcção, especialmente na gestão de conflitos entre alunos, considerando que se procura sempre conseguir uma resposta com função educadora, socializadora e de aprendizagem, numa perspectiva de ganhador-ganhador e não de ganhador-perdedor.

Indubitavelmente, qualquer instituição educativa deve funcionar como “um bastão da segurança social, para o desenvolvimento das ideias, da cultura, para o fomento de valores de tolerância, cooperatividade e liberdade” (Hidalgo, 2009), não esquecendo que, como refere Chrispino (2007), “ordem e conflito são resultado da interacção entre os seres humanos”.

Zampa (citado por Chrispino, 2007), regista 4 tipos distintos de conflito:

-  conflito em torno da pluralidade de pertencimento;

- conflitos na definição do projecto da instituição [projecto educativo];

- conflitos na execução do projecto educativo;

-  conflito entre as autoridades formal e funcional.

Assim, sintetiza os conflitos que ocorrem com maior frequência do seguinte modo:

 

 

Conflitos

Motivos para o conflito

Entre Docentes

 

• falta de comunicação;
• interesses pessoais;
• questões de poder;
• conflitos anteriores;
• valores diferentes;
• busca de “pontuação” (posição de destaque);
• conceito anual entre docentes;
• não-indicação para cargos de ascensão hierárquica;
• divergência em posições políticas ou ideológicas.

Entre Alunos e Docentes

• não entender o que explicam;
• notas arbitrárias;
• divergência sobre critério de avaliação;
• avaliação inadequada (na visão do aluno);
• descriminação;
• falta de material didático;
• não serem ouvidos
(tanto alunos quanto docentes);
• desinteresse pela matéria de estudo.

Entre Alunos

• mal entendidos;
• brigas;
• rivalidade entre grupos;
• descriminação;
• bullying;
• uso de espaços e bens;
• namoro;
• assédio sexual;
• perda ou dano de bens escolares;
• eleições (de variadas espécies);
• viagens e festas.

Entre Pais, Docentes e Gestores

• agressões ocorridas entre alunos
e entre os professores;
• perda de material de trabalho;
• associação de pais e amigos;
• cantina escolar ou similar;
• falta ao serviço pelos professores;
• falta de assistência pedagógica
pelos professores;
• critérios de avaliação,
aprovação e reprovação;
• uso de uniforme escolar;
• não-atendimento a requisitos
“burocráticos” e administrativos da gestão.

(Fonte: Zampa, in Chrispino, 2007)

 Nebot (citado por Chrispino, 2007), refere que os conflitos escolares podem ser: organizacionais (sectoriais, salariais, regime público/privado), culturais (comunitários, raciais e de identidade), pedagógicos (metodologias de ensino, percursos formativos e curriculares, horários, turmas, avaliação) e de actores (alunos e turmas, docentes, direcção, famílias).

 

Para a abordagem do conflito, Costa e Matos (2007), apresentam várias estratégias e programas que podem servir de orientação para o trabalho em contexto escolar, salientando que “O conflito existe e é necessário para a mudança, neste sentido o objectivo não é evitar o conflito mas lidar com ele de uma forma que minimize o seu impacto negativo e maximize o seu potencial positivo inerente” (Costa e Matos, 2007: 76) e que é importante lidar construtivamente com os conflitos inevitáveis.

 

As autoras apresentam estratégias de resolução de conflitos centradas:

- nos indivíduos e nas relações interpessoais;

- nos sistemas.

Estas mesmas estratégias podem ser sintetizadas nos quadros seguintes:

 

 

 

Centradas nos indivíduos e nas relações interpessoais

Mediação de pares

- Treino de alunos como interventores neutros na ajuda a outros alunos para a resolução de disputas interpessoais, recorrendo à escuta activa, ao parafrasear, ao reformular e ao desempenho de papéis;

- Objectivo: gerar acordos aceitáveis para todos e desenvolver uma estratégia para lidar com problemas idênticos no futuro;

- Estes programas conduzem a resultados positivos a todos os níveis e para os mediadores e mediados, com particular destaque para as vantagens para os mediadores que tiveram, eles próprios, problemas de comportamento e episódios de conflito na escola.

 

- São necessárias medidas (governamentais) que permitam à escola desenvolver estratégias adaptadas à especificidade dos seus alunos.

 

- Ao desenvolver estratégias de resolução de conflitos, as escolas estão a incrementar nos alunos o desenvolvimento de competências no âmbito das relações interpessoais.

 

- Factores que fazem parte da resolução de conflitos: separar as pessoas do problema, reconhecer as emoções envolvidas no processo, aceitar que o conflito é comunicação, aprender a diferenciar o foco nos interesses e não nas posições e, ainda, criar oportunidades para encontrar opções ou alternativas distintas (p. 79).

 

- Atitudes e competências que são facilitadoras na resolução de conflitos: empatia, justiça, tolerância, verdade, não-violência (verbal, física, psicológica), respeito (por si e pelos outros) e o apreciar a controvérsia como forma de crescimento (p. 82).

 

- Integração da temática da resolução de conflitos no currículo escolar.

Exemplos de programas:

1 – TSP (p.80) – envolve os alunos -  Promover o estabelecimento de condições cooperativas na turma (aprendizagem cooperativa), definir o conflito e ensinar os alunos a identificarem exemplos concretos no currículo, ensinar procedimentos de negociação e mediação e praticar a resolução de conflitos (mediação de pares), processar a eficácia de cada prática (para refinar competências; fornecer feedback) e, por fim, resolver construtivamente conflitos reais que ocorrem nas turmas ou na escola.

2 – PP (p. 82) – envolve os professores – Estratégias: reuniões de turma, estratégias de escuta activa, técnicas de parafrasear, treino de mediação de pares para os alunos, utilização de vocabulário afectivo e comunicação positiva em situação de conflito.

3 – Programas para jovens baseados na teoria da vinculação (p.83) – “Assumem que todo o comportamento tem um significado e que este é melhor acedido no contexto dos modelos internos dinâmicos dos sujeitos”. “Deverão ser criadas oportunidades de experiências construtivas de proximidade emocional, que permitam a revisão dos modelos e a emergência de novos comportamentos e estratégias de regulação emocional.”

     3.1. – RP (p.84) – trabalho multidimensional como jovem e a família (para entender as dinâmicas de vinculação), partilha de informação pela equipa multidisciplinar, comunidade, família e jovem e elaboração de um plano de cuidados, definição de estratégias e trabalho com equipas que implementem o plano no contexto da comunidade.

     3.2. – OP (p. 84) – programa de 3 meses em que cada membro da equipa trabalha apenas com 2 jovens; envolve terapia familiar, grupos de desenvolvimento parental, supervisão da equipa e organização dos espaços. A relação é a principal estratégia para o jovem; os pais deverão ser apoiados no desenvolvimento de competências de parentalidade.

 

 

 

Centradas nos sistemas

Os alunos são seres activos “cujo desenvolvimento depende em larga medida da qualidade das interacções desenvolvidas e mantidas ao longo da vida com os adultos mais significativos” (p. 85)

 

Exemplos de programas:

1 – RCCP (p.85) – objectivos de desenvolvimento pessoal e social. Pretende “impregnar a cultura escolar com competências sociais e emocionais necessárias à redução da violência e de preconceitos, através da construção de relações apoiantes e da promoção de vida saudáveis”. São intervencionados: gestores, professores, pessoal auxiliar (actividades comunitárias, práticas de ensino, gestão e resolução de conflitos, gestão da fúria, comunicação, valorização da diversidade). Os pais podem participar em workshops para aprendizagem de conceitos de resolução de conflitos e praticam, na escola, as mesmas competências que os filhos. Alvo: todos os intervenientes no processo educativo. Virada para o desenvolvimento de competências.

 

2 – Modelo de Pianta (1999) – (p.86) – “a análise do sistema relacional criança – professor permite a compreensão do sistema relacional na escola”. Componentes primárias da relação professor–aluno: características individuais, as representações que cada um tem da elação, os processos de trocas de informação e as influências externas. As estratégias vão no sentido da intervenção no tempo.

 

3 – Eccles e Roeser (1998) – (p. 88 ) – Escola tem de se adaptar às necessidades dos seus alunos. Intervenções disseminadas no currículo:

- permitem: construção de identidade, integração da família, fomentam o desenvolvimento profissional, incentivam oportunidades de sucesso para os alunos.

- implicam trabalho dirigido a toda a escola

- em turma são criadas oportunidades para desenvolver espírito colaborativo que permite atingir objectivos comuns, ajudar e ser ajudado, reflectir e discutir perspectivas e objectivos, praticar competências e desenvolver a autonomia

- para tudo isto é necessário o desenvolvimento relacional e o estabelecimento de laços afectivos (Battistish, 1997) in p. 89. “a grande preocupação das escolas não pode ser meramente os resultados académicos, mas um interesse genuíno nos seus alunos”.

- relação professor-aluno – estratégias – criação de tempos de acção diferentes, novos e fora das rotinas escolares, para “redefinir e reexaminar modelos representacionais” e “construir novas formas de comuniação”. Utilização de vídeos para rever atitudes e práticas no contexto relacional.

 

4 – Coleman e Deustch (2001) – (p. 90) – abordagem sistémica é “o paradigma de referência na conceptualização de processos inerentes ao conflito, bem como para a intervenção neste domínio em contexto escolar”. “Esta abordagem traduz o reconhecimento da circularidade de influências nestes processos”. Os autores estabelecem “cinco níveis de abordagem”: a disciplina, o currículo, a pedagogia, a cultura escolar e a comunidade. (ver esquema na p. 90). Produzir mudança implica “construir uma escola que sirva de modelo aos seus alunos”, com objectivos de: promoção de valores, atitudes, conhecimentos e competências. As intervenções devem permitir a mudança ao nível individual e ao nível sistémico, centrando-se nos valores de empowerment, interdependência social positiva, não violência e justiça social.

Intervenção:

- primeiro nível – disciplina – programas de mediação de pares, com formação centrada nos princípios da resolução construtiva de conflitos e divulgados junto da população escolar; têm efeitos positivos a nível individual, dos mediadores, da escola (p.91)

- segundo nível – currículo – criação de programas de formação de alunos sobre resolução de conflitos, incorporando no currículo temáticas como: compreender o conflito, comunicar. Lidar com a fúria, cooperação, assertividade, consciência das diferenças, diversidade cultural, pacificação. O aluno é ensinado a: perceber o tipo de conflito, tomar consciência das causas e consequências, enfrentar o conflito, respeitar-se a si próprio e respeitar o outro, evitar o etnocentrismo e compreender e aceitar a diferença cultural, distinguir entre “interesses” e “posições”, explorar os seus interesses e os do outro, definir os interesses em conflito como um problema mútuo, ouvir atentamente e falar de forma a ser compreendido metacomunicando, estar atento às tendências naturais para enviesar, desenvolver competências, conhecer-se a si próprio e, por fim, a ver o outro como alguém que merece ser compreendido.

- terceiro nível – pedagogia – estratégias de ensino: aprendizagem cooperativa (5 elementos chave: interdependência positiva, interacção face-a-face, responsabilidade individualm competências interpessoais e de pequeno grupo e processamento ou análise do funcionamento dos grupos de aprendizagem) e a controvérsia nas disciplinas regulares.

- quarto nível – cultura escolar – formação dos adultos nas escolas: professores, administradores, psicólogos, funcionários auxiliares e administrativos, com o objectivo de aprenderem a gerir conflitos.

- quinto nível – comunidade (alargada) – formação em gestão e resolução de conflitos para pais e demais educadores, polícia local, membros de organizações comunitárias.

 

Centradas nos sistemas (cont.)

 

Desafios a uma intervenção sistemico-desenvolvimental: motivação das escolas e do poder político; conceptualização da escola como um sistema aberto; utilização de estratégias criativas; professores com competências para motivar e persuadir, organizar, mobilizar e institucionalizar a mudança. (p.95)

 

“As escolas e os seus subsistemas têm capacidade de auto-organização” (p.96)

 

Na escola, cada actor deve ser agente da mudança construtiva

 

 

 

Princípios básicos para a intervenção numa perspectiva sistémica (p. 99)
SISTEMA – “rede comunicacional, cada elemento afecta o sistema e este é afectado pelos diferentes intervenientes”

    SISTEMA = Escola

    SUBSISTEMA = Sala-de-aula ou família

    ECOSSISTEMA = Comunidade

    SUPRA-SISTEMA = Cultura e Sociedade

 

A Família e a Escola funcionam como 2 sistemas básicos para o desenvolvimento.

 

A Escola é um sistema complexo de interacções, que simultaneamente pode ser construtivo e inibidor do desenvolvimento, devido à diversidade de modelos construídos transportados para a escola por todos (alunos, professores e funcionários).

 

“A relação estabelecida com os pais é fundamental para estabelecer o ritmo da interacção da criança com o mundo” (p. 100)

 

PRINCÍPIOS PARA A INTERVENÇÃO NUMA PERSPECTIVA SISTÉMICA:    (Littlejohn e Domenici, 2001)

- não há apenas uma versão sobre o acontecimento;

-a mudança surge da interacção e não da prescrição;

-a durabilidade da mudança acontece através do diálogo entre participantes;

- os limites do sistema são fluidos;

-o sistema controla-se a si próprio através de processos de retroacção;

-as influências do sistema podem tomar qualquer direcção;

Segundo os autores devemos centrar-nos nos padrões de interacção e não nos comportamentos isolados.

Devemos trabalhar em equipa, promover estratégias para resolver de modo construtivo o conflito, estimular a reflexão sobre o sistema, não ficar preso a um plano previamente definido e ter como base o princípio da interdependência.

 

Premissas subjacentes a uma perspectiva sistémica de resolução de conflitos:

- escola e família são as instituições mais importantes de influência para o desenvolvimento sócio-emocional;

-a estrutura da escola desenvolve comportamentos de competição desigual entre alunos em vez de fornecer experiências sociais construtivas;

- perspectivas as escolas numa perspectiva sistémica pode permitir transformá-las nos diferentes níveis sistémicos;

- Os modelos internos construídos ao longo da vida de cada elemento (da escola) são actualizados nas diferentes relações.

 

 

Para uma intervenção na mediação e gestão de conflitos, a mediação permitirá chegar a acordos que sejam aceites mutuamente, melhorar e “cimentar” relações interpessoais, contribuir para ultrapassar diferenças e fomentar a cooperação, a confiança, a partilha e a solidariedade. O primeiro passo para a implementação de um programa de mediação de conflitos e o reconhecimento da sua existência. Como esquematiza Aninger (s/d):

 

 

 As escolas que aprender a lidar com o conflito são aquelas onde o diálogo é permanente, onde o currículo considera as oportunidades para encontrar soluções, onde a comunidade assume um papel de colaboração e encaminhamento, onde o clima escolar é melhorado continuamente.

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

- Aninger, L. (s/d) Gerenciando conflitos. In: http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://www.linhadireta.com.br/livro/imgs/29_gerenciandoconflitos.jpg&imgrefurl=http://www.linhadireta.com.br/livro/parte4/artigos.php%3Fid_artigo%3D16&h=300&w=587&sz=30&tbnid=Y6Wb5rdVzQ6DGM:&tbnh=69&tbnw=135&prev=/images%3Fq%3Dmedia%25C3%25A7%25C3%25A3o%2Bde%2Bconflitos&zoom=1&q=media%C3%A7%C3%A3o+de+conflitos&hl=pt-pt&usg=__FJz_U-uWhrUl53vmQQj8h5d5PPc=&sa=X&ei=xs0XTZnAJ5TNjAeXzf32BQ&ved=0CDMQ9QEwBg   [consulta em Dezembro de 2010]

 

- Chrispino, A. (2007) Gestão do conflito escolar: da classificação dos conflitos aos modelos de mediação. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação. Vol.15, no.54, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2007, disponível em

http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://www.scielo.br/img/revistas/ensaio/v15n54/a02img09.gif&imgrefurl=http://www.scielo.br/scielo.php%3Fscript%3Dsci_arttext%26pid%3DS0104-40362007000100002&usg=__xSu5xdKQBueVaiHHzX2piBOpENc=&h=435&w=565&sz=85&hl=pt-pt&start=0&zoom=1&tbnid=GUstB84YL8LUlM:&tbnh=119&tbnw=155&prev=/images%3Fq%3Dconflito%252Bescolar%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DG%26biw%3D1209%26bih%3D673%26gbv%3D2%26tbs%3Disch:1&itbs=1&iact=hc&vpx=287&vpy=66&dur=3797&hovh=197&hovw=256&tx=162&ty=88&ei=wsIXTZrYCIWxtAbt0IXcDA&oei=wsIXTZrYCIWxtAbt0IXcDA&esq=1&page=1&ndsp=26&ved=1t:429,r:1,s:0       [consulta em 23.05.2011]

 

-  Costa, M. E. & Matos, P. M. (2007) Abordagem sistémica do conflito. Lisboa: Universidade Aberta

 

- Hidalgo, M. H. (2009) Programa de intervención para la resolución de conflictos estudiantiles dirigido a los jóvenes el séptimo (7°) grado de la UEN Liceo “Andrés Bello”. Una alternativa para la inducción de Valores de la No-violencia hacia  la Convivencia Ciudadana. Sapiens, Ano 10, Nº 1, 225-239.

 

 

About these ads
This entry was posted in Uncategorized. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s