Interaccionismo Simbólico

Os problemas sociais que advieram da industrialização e da urbanização do início do século XX, constituíram estímulos para o desenvolvimento de uma perspectiva teórica voltada para o estudo do comportamento humano em contexto social, que viria a ser denominada interaccionismo simbólico.

“De um modo geral, pode-se dizer que o interacionismo simbólico constitui uma perspectiva teórica que possibilita a compreensão do modo como os indivíduos interpretam os objetos e as outras pessoas com as quais interagem e como tal processo de interpretação conduz o comportamento individual em situações específicas.”1

O interaccionismo simbólico permite compreender as pessoas como seres que podem servir-se da sua capacidade de raciocínio e o seu “poder de simbolização” para conseguir ser capaz de se adaptar às situações e circunstâncias, constituindo-se como uma resposta na análise da socialização, comportamentos e análise de opiniões e expectativas dos indivíduos.

O conceito vem do termo interagir, que significa agir mutuamente. A expressão interaccionismo simbólico teve a sua origem na psicologia social, aparecendo através de Mead, cujos herdeiros maiores são Blumer (Escola de Chicago e que foi o primeiro a utilizar a expressão interaccionismo simbólico em 1937), Kuhn (Escola de Iowa) e Goffman.2

O interaccionismo simbólico aborda o ser humano como ser em acção, que é influenciado pelo passado e presente (durante a interacção) e cujas acções sofrem influência daqueles com quem interage e da sua própria maneira de interpretar a situação. Na realidade esta abordagem baseia-se na ideia de que a acção humana se relaciona com o significado que cada indivíduo possui do mundo que o rodeia (objectos, instituições, ideais, situações e actividades); os significados resultam da interacção social e podem ser alterados durante as interacções estabelecidas.

O interaccionismo simbólico baseia-se em três premissas:

“A primeira é que os seres humanos agem em relação às coisas com base nos significados que as coisas tem para eles. Tais coisas incluem tudo que o ser humano possa notar em seu mundo de objetos físicos, tais como árvores ou cadeiras; outros seres humanos, tais como uma mãe ou uma balconista de loja; categorias de seres humanos, tais como amigos ou inimigos; instituições, como uma escola ou um governo; ideais guias, tais como independência individual ou honestidade; atividades de outros, tais como seus comandos ou pedidos; e tais situações como um encontro individual em sua vida diária. A segunda premissa é que o significado de tais coisas é derivado de, ou origina-se da, interação social que alguém tem com um companheiro. A terceira premissa é que esses significados são manejados, e modificados através de um processo interpretativo usado pelas pessoas ao lidar com as coisas que elas encontram”.3

De modo resumido, Bryman3 refere-se às três premissas do interaccionismo simbólico registando que “os seres humanos atuam em relação às coisas e a outras pessoas em seu ambiente baseados nos significados que essas coisas têm para eles; o significado de tais coisas é derivado, ou surge, da interação social que a pessoa tem com seus companheiros; e estes significados são estabelecidos e modificados através de um processo interpretativo.” O mesmo autor refere que os dois conceitos essenciais do interaccionismo simbólico são a definição da situação (antes de agir o indivíduo examina e delibera, para conhecer a direcção a seguir) e o self social (o ser humano é uma mistura de instintos biológicos e de obrigações sociais internalizadas).

Em administração, o interaccionismo simbólico pode ser um recurso no estudo dos processos de comunicação nas organizações. “A comunicação é vista como um processo através do qual um indivíduo, ou grupo, transmite significados para outros. O símbolo é compreendido então como algo que existe entre as pessoas e pode ser manipulado para a troca de mensagens.”3

A comunicação é um factor indispensável à interacção entre os seres humanos e “na perspectiva do interacionismo simbólico (…) há uma enorme variedade de interações sociais que ocorrem de modo a formar coletividades separadas, que levam à constituição de determinados grupos sociais, cada qual com suas regras e normas de conduta, validadas e aceitas pelos indivíduos que os compõem. As interações sociais, porém, são processos dialéticos, pois os indivíduos constroem os grupos e coletividades sociais dos quais fazem parte, mas, ao mesmo tempo, esses grupos e coletividades interferem na conduta do indivíduo.”4

A criação de grupos influenciados pela interacção estabelecida e pela comunicação entre docentes e/ou alunos é uma constante em contexto educativo. Alunos e professores reagem entre si de acordo com as suas experiências de vida e ideias/referências que possuem. Da interacção, com factores positivos e negativos, poderão surgir relações de amizade, companheirismo e de trabalho, entre outras.

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1 in Carvalho, V. D., Borges, L. O. e Rêgo, D. P. (2010) Interacionismo simbólico: origens, pressupostos e contribuições aos estudos em Psicologia Social . Artigo disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1414-98932010000100011&script=sci_arttext [consulta em 5.04.2011]

2 http://www.slideshare.net/mscabral/interaccionismo-simblico-e-escola-de-palo-alto [consulta em 5.04.2011]

3 In Mendonça, J. R. C. (2002) Interacionismo simbólico: uma sugestão metodológica para a pesquisa em administração. REAd – Edição 26, Vol. 8, No. 2, disponível em http://seer.ufrgs.br/read/article/view/15646/9343 [5.04.2011]

4 In Cancian, R. (s/d) Blumer e o estudo das interacções sociais, disponível em http://educacao.uol.com.br/sociologia/interacionismo-simbolico-fundamentos.jhtm [consulta em 5.04.2011]

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