Bullying – uma situação conflitual…

 

O termo bullying não possui, na língua portuguesa, uma tradução que não implique perda de significado. Podemos associá-lo aos termos provocação, vitimização, agressividade e violência.

“É um termo introduzido por Dan Olweus quando pesquisava sobre tendências suicidas em jovens adolescentes. As suas investigações levaram-no a concluir que a maioria dos jovens que cometiam estes actos, tinham sofrido algum tipo de ameaça.”1

Olweus (citado em Carvalhosa, Lima e Matos, 2001: 523) definiu o conceito de bullying afirmando que “um aluno está a ser provocado/vitimado quando ele ou ela está exposto, repetidamente e ao longo do tempo, a acções negativas [mal-estar ou danos causados intencionalmente por alguém] da parte de uma ou mais pessoas”. As situações ocorridas poderão ser relativas a maus-tratos físicos, verbais, psicológicos e/ou sexuais.

Podemos dizer que estamos perante uma situação de bullying quando se verificamos seguintes critérios: intencionalidade do comportamento, repetição desse mesmo comportamento ao longo do tempo e um desequilíbrio de poder entre pessoas (agressores e vítimas).

Como referem Carvalhosa, Lima e Matos (2001: 524), ”Em Portugal, são conhecidas as investigações de Pereira et al. (1994) relativas a dois Concelhos do Norte do país, segundo o qual 21% das crianças entre os 7 e os 12 anos nunca foram agredidas, 73% são agredidas «às vezes» e 5% «muitas vezes»”. No estudo realizado por Carvalhosa, Lima e Matos (2001: 536), numa amostra populacional escolar dos 6º, 8º e 10º anos de escolaridade, foram analisados “os comportamentos de bullying/provocação em contexto escolar, através do questionário «Comportamento e Saúde em Jovens em Idade Escolar» – versão portuguesa do questionário internacional de 1998, da rede Health Behaviour in School-aged Children (HBSC), apoiada pela Organização Mundial de Saúde”.  As autoras puderam concluir que os resultados não se afastam dos resultados apresentados na literatura sobre o tema, confirmando as características “dos provocadores (afastamento em relação à família e à escola, bom  relacionamento com os pares, consumo de substâncias e exibição de sintomas físicos e psicológicos e depressão), das vítimas (afastamento em relação à escola, problemas no relacionamento com os pares, exibição de sintomas físicos e psicológicos e depressão) e das vítimas provocativas (afastamento em relação à família e à escola, problemas no relacionamento com os pares e exibição de sintomas físicos e psicológicos e depressão). Apresentam-se os determinantes para os comportamentos de provocação (sexo, idade, violência fora da escola, atitude face à escola, sintomas físicos e psicológicos, consumo de tabaco e álcool e nível socio-económico) e de vitimação (sexo, idade, violência fora da escola, relação com os pares, depressão e sintomas físicos e psicológicos, relação com os pais, atitude face à escola e nível socio-económico)” (idem, ibidem: 536-537).

 

A divulgação destes casos é, no entanto, mais rapidamente concretizada pelos media do que por estudos cuidados e fundamentados.  São muitas as notícias, imagens e vídeos que podemos encontrar, numa curta pesquisa. Aquilo que a comunicação social apresenta muitas vezes são situações de violência entre jovens ou entre jovens e professores, pouco contextualizadas, e sem divulgação do que foi feito, em termos interventivos por quem tem responsabilidade social e educativa sobre os jovens envolvidos (escola, famílias, entidades com competência decisória como CPCJ e tribunais).

Como refere Silva (2008)2, “A mediatização de casos de bullying com recurso à generalização é vista por especialistas como desfavorável para a compreensão do fenómeno”. As imagens de violência não devem ser apresentadas na comunicação social dissociadas do contexto em que aconteceram; a dissociação destes conduz a uma discussão negativa das situações ocorridas.

No entanto, “O trazer a discussão para a opinião pública vem alertar a sociedade para a existência de bullying nas escolas. (…) não se pode é descaracterizar as situações” (Martins, citado em Silva, 2008)2

 

 

 

NOTAS:

1 informação disponível  no Portal do Bullying, http://www.portalbullying.com.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=53&Itemid=58          [consulta em 25.05.2011]

2 Silva, P. (2008) Bullying: Mediatismo excessivo prejudica análise dos casos. Informação disponível em http://jpn.icicom.up.pt/2008/06/02/bullying_mediatismo_excessivo_prejudica_analise_dos_casos.html

[consulta em 29.05.2011]

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

– Carvalhosa, S. F., Lima, L. e Matos, M. G. (2001) Bullying – A provocação/vitimação entre pares no contexto escolar português. Análise Psicológica. 4 (XIX): 523-537. Documento disponível em http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aps/v19n4/v19n4a04.pdf   [consulta em 27.05.2011]

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